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Entrevista. “Alguém percebeu que a notícia estava ali. Ainda bem".

‘Publicamos as palavras do Papa. Com convicção.’

Norma Rangeri está satisfeita pela forma como foi recebida, até mesmo pelos jornais mais ‘distantes’ do seu, a escolha de il manifesto, o jornal que ela dirige, de sair nas bancas nesta quarta-feira levando como suplemento um livro com três discursos do Papa Francisco apresentados em encontros mundiais dos movimentos populares. A superação de um tabu, em nome de uma sensibilidade comum em questões como justiça social, meio ambiente, direito à moradia e a um trabalho digno. “Um encontro entre pessoas, sem abrir mão de continuar sendo quem você é”, sintetizou Rangeri, explicando também a escolha de publicar neste mesmo dia – mais um evento inédito – anúncios em Avvenire e Famiglia Cristiana.

A entrevista é de Angelo Picariello, publicada por Avvenire, 05-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Como surgiu a ideia?

Porque consideramos como nossas essas mensagens do Papa e queremos levar aos nossos leitores o radicalismo e a simplicidade dessas palavras. A ideia nasce de uma iniciativa da editora Ponte alle Grazie de publicar três contribuições do Papa, públicas embora inéditas, na qual se empenhou um dos nossos colaboradores, Alessandro Santagata. Então, pedimos a editora para poder distribuí-las nas bancas junto com o nosso jornal numa tiragem de 20 mil exemplares.

E assim il manifesto publica o Papa.

Nós gostamos de superar e ousar. Nascemos com esse espírito, por nossa crítica aos regimes do Leste nos tiraram do Partido Comunista Italiano. Estes três discursos (Nota de IHU On-Line: refere-se aos discursos pronunciados pelo Papa Francisco nos três encontros mundiais de Movimentos Sociais e Populares) nos pareceram quase como uma encíclica, uma nova Rerum Novarum, sobre a relação entre ética e política. E hoje também li nos jornais de direita considerações interessantes sobre os encontros que o Papa teve, à margem desses eventos, com Mujica, com o presidente boliviano Evo Morales e com líderes dos trabalhadores do campo brasileiros. São todos discursos lindos e interessantes.

A justiça social é um território tradicional de encontro entre a esquerda e os católicos…

Sou uma calejada repórter parlamentar, lembro os confrontos com De Mita (Nota de IHU On-Line: foi primeiro ministro italiano, membro do Partido Democrata Cristão da Itália) sobre o que levaria a melhor: a solidariedade ou o reformismo. Mas aqui temos um novo acento, essas pessoas não são objeto da benevolência do Papa, mas são sujeitos que se dirigem a ele e ele se dirige a eles, para dizer que devem tornar-se sujeitos de mudança, e faz isso lançando uma crítica cerrada contra os processos econômicos e os eufemismos que são usados para encobrir falsas verdades. Uma exposição convincente e também brilhante. Também se percebe uma ideia nova de política, o Papa cita inclusive Ballestrino de Careaga, por sua concepção da política. É uma comunista de origem paraguaia e isso também nos surpreendeu.

Houve alguma resistência pelo seu lado?

Não, nós estávamos muito convictos. Além disso, a sintonia com o Papa já era forte sobre as políticas migratórias. Com isso, não significa que queremos nos ‘casar’ com a Igreja, ainda existem muitos aspectos que nos dividem, no plano dos direitos civis e da moral. Embora a discussão deva sempre existir.

Onde você vê um terreno de encontro possível?

O Papa fala de encontro entre as pessoas. Em uma fase pós-ideológica como esta me parece o caminho certo para redesenhar uma convivência diferente.

E a publicidade em Avvenire e Famiglia Cristiana, como surgiu?

Nasceu da ideia de dialogar com um público de leitores que poderia estar interessado. A nós interessa o contato com eles.

Algum sinal do Vaticano?

Não, o Papa não nos telefonou. Se o fizer, ficaremos muito felizes.

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